PESQUISA ELEITORAL

Como todo o bom povo fofoqueiro o Brasileiro adora ter sobre o que falar, não é mesmo?

Na falta de estudo, na falta de argumento e na falta de entretenimento o povo fica ansioso por ter o que falar sem que esse assunto ocupe muitos megabytes do seu cérebro. Nada mais aceitável para isso do que uma boa pesquisa eleitoral! Veja como ela é fundamental em uma campanha!

A cidade de São Paulo, maior colégio eleitoral do país (quiçá da América Latina inteira) possui 8.986.687 de eleitores! A pesquisa Datafolha, de maior credibilidade no país, no dia 23 de novembro entrevistou 1260 pessoas. Só para termos uma noção, 0,014% dos eleitores foi entrevistado! Zero vírgula ZERO-Quatorze Por Cento!

"Então, autor sabichão, por que sempre o resultado fica perto do que apontam as pesquisas?"

VIÉS de confirmação. Muita gente usa a pesquisa como norte para o próprio voto! As pessoas observam as simulações de segundo turno ou as tendências e agrupam os votos em candidatos sem conhecimento de causa. Eu que sou um bom leitor e entendo razoavelmente de vários termos de políticas públicas gastei 4 dias com 3 horas de estudo POR DIA para fazer a leitura preliminar dos Planos de Governo do Covas e do Boulos. Nada muito aprofundado, leitura dos PDFs com os textos e levantei alguns questionamentos de viabilidade de projetos, eficácia e possíveis entraves de cada "proposta". Quantos eleitores têm essa preocupação? Talvez menos de 0,014% tenham.

Acompanhe o raciocínio. 0,014% dos eleitores entrevistados influenciam mais de 50% das intenções de voto do restante! E esses 50% são agravados pois temos uma massa de Nulos+Brancos+Abstenções que gira em torno de 40% do eleitorado! Vejam só os números do primeiro turno:

Brancos: 5,87 % - 373.037 votos

Nulos: 10,11 % - 642.277 votos

Abstenção: 29,29 % - 2.632.587 votos

No primeiro turno da capital paulista 3.647.901 eleitores (40,59% dos eleitores) ficaram de fora dos votos válidos! A somatória dos 2 candidatos que foram para o segundo turno é de 2.834.749 eleitores (31,54% dos eleitores)!

As pesquisas publicadas de forma constante só levam o eleitorado a ter PREGUIÇA de votar, DESACREDITAR do poder do seu voto e DIRECIONAR votos para as preferências dos 0,014% dos entrevistados, afinal "Se FULANO já está tão a frente nas pesquisas nem vou perder meu tempo votando no BELTRANO"!

Não estou aqui propondo nenhum tipo de censura da mídia, que fique claro, apenas estou dizendo que essas pesquisas em pouco ou nada contribuem com o andamento do processo democrático. Elas possuem um papel fundamental para o "voto útil" onde você deixa de votar no candidato que mais simpatiza e que melhor te representaria para votar no "menos pior, mas que tem chance".

Esse efeito de pesquisas eleitorais é global, não local. As características do eleitorado brasileiro que mesmo com um voto OBRIGATÓRIO apresenta uma REPULSA cada vez maior sobre esse processo democrático.

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Só para comparação, o município de Itu teve a soma de brancos+nulos+abstenções de 44.293 eleitores, representando 36,54% dos eleitores, como o vencedor da eleição teve 32.115 votos, essa MASSA INERTE de eleitores poderia ter virado o resultado até mesmo para o candidato menos votado! Mas as "Pesquisas apontam" muita coisa, não é mesmo?

Só para finalizar a pesquisa aponta que 9% dos votos eram brancos e nulos e 3% não sabiam responder, portando, uma margem de erro de quase 30%, contra os "5%" que anunciam.

Sim, eu sei que existem métricas e parâmetros que dão respaldo a essas pesquisas, mas o ponto desse texto é tentar dar um pequeno despertar que pesquisas não decidem eleições, VOTOS VÁLIDOS decidem eleições e o SEU VOTO TEM IMPORTÂNCIA, acredite você em urnas fraudulentas ou não, SEU VOTO IMPORTA, principalmente se você ESTUDAR seu candidato, nem que seja uma hora no site onde ele apresenta as propostas!

Texto escrito pelo Profº Gustavo H. Leão de Mello

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